DIÁRIO DE BORDO

Chega um determinado momento, mais de um em toda vida, que precisamos mudar, traçar uma nova rota, reajustar nossas expectativas. As vezes essa sensação é sentida por meio da falta de identificação com o guarda-roupa, mas ela é apenas um sinal. É, na verdade, a vida te chamando para uma nova fase. Quando as coisas não acontecem do jeito que você gostaria e as tuas velhas idéias começam a perder o sentido, tua “zona de conforto” - do trabalho "certo", dos relacionamentos "certos" e da rotina “certa” - começa a ficar super desconfortável.

Aí você constata que precisa mudar. Ou, simplesmente, começa a sentir necessidade de movimento.

Tive e tenho algumas clientes que me chegam com um objetivo claro / nada claro de vontade de movimento. “Lê, eu quero mesmo é uma forma para me sentir em movimento”, falou a Lívia em nosso primeiro encontro. Ela é uma mãe incrível, esposa incrível e mãe de um bulldog alemão impecável. Ela dedicou a vida (embora tenha um currículo acadêmico e intelectual invejável) a cuidar dos outros (com um pouco de atenção e algumas trocas de livros cuidou até de mim). Me chamou então para lhe ajudar no movimento, para sai da zona de conforto não tão confortável e começar a cuidar de si mesma. Encontramos um caminho e fico com a lembrança da minha frase naquele primeiro dia (e espero que ela tenha guardado bem lá no lugar onde construímos nossas crenças) que foi: Lívia, como você é uma mulher interessante”.

Desde que fiz uma pequena história com a consultoria de estilo posso dizer com propriedade: eu entendo de mulheres.

Fiquei tantos anos limitada por um arquétipo que “ah, pra você é facil, você é magra e bonita”, que no início não acreditava muito na minha “bandeira” de propósito no mundo: fazer mulheres melhorarem a relação com elas mesmas, oferecer um meio de se reconectarem com quem elas foram um dia ou podem ser amanhã, se amarem.

Então quando comecei a falar que era possível transformar uma vida a partir de amor próprio. Que esse sentimento é, na verdade, o mais poderoso de todos nesse universo e que eu tinha um caminho para isso foi depois do tempo que eu precisei para acreditar em mim mesma, amar a mim mesma (e todas as minhas escolhas, personalidades, humores e qualquer tipo de questão física que eu pudesse ter).

E essa perspectiva tem tanto a ver com o meu momento que motivou o começo desse texto. 

Estive prestes a pensar em mudar a comunicação visual da minha marca, estava sem me encontrar nela, comecei a analizar opções para mudar. Mas então lembrei de todo o significado que meu logo carrega e que com um pouco de estratégia e styling eu faço, de novo, de minha marca a minha cara. Afinal, é isso que eu faço com as minhas clientes, as faço reconectar com elas mesmas a partir de um pequeno ajuste (e muita perspectiva) - a diferença é que aqui não haverá (diretamente) roupa.

Não posso mudar esse logo, eu fiz um verdadeiro mergulho em mim mesma e na base dos meus valores para chegar até ele, seu símbolo remonta nossos ciclos e nossa necessidade cíclica por mudanças, falo sobre minha vontade de fazer parte disso com outras mulheres, ajudar a dar o passo que precisam para abandonar o antigo e olhar para o novo. Deixar de ser lagarta para virar borboleta. 

Então ressignifiquei minha escolha lá de trás, quando comecei na consultoria de estilo. Quero mesmo começar a escrever por aqui e ajustar o que for necessário para que o site me represente. Só senti isso na hora de abrir mão dele.

É assim também que eu proponho um ajuste de rota na forma como você expressa seu estilo pessoal. Ressignificamos cada momento e cada apego (representado naquela blusa que você não usa mais, mas que tem um pedaço de tua vida com ela) para te deixar florecer da forma mais autêntica possível.

Eu não esperava escrever isso tudo. Acabou a luz e sem internet me deixei mergulhar para dentro e colocar em palavras o que sinto hoje. Aí pensei, e amanhã ou na próxima semana? E se eu compartilhar um diário de bordo para falar do meu trabalho e da forma como eu vejo ele e todas as pessoas (sempre tão ricas) que cruzam o meu caminho? Me deu vontade de continuar, irei tentar.

Vem comigo?